domingo, 14 de janeiro de 2018

MACÁRIO - Capítulo 26: "Adivinhe quem veio para o café da tarde?"

Olá.
Hoje, domingo. 15 dias se passaram desde o último domingo de 2017. E meu folhetim ilustrado para adultos, MACÁRIO, ganha continuidade agora, em 2018. É o primeiro capítulo do ano - e a primeira postagem de 2018 com desenhos. E, bem, para introduzir, isso é tudo.
ATENÇÃO: leitura não recomendada para menores de 18 anos. Contém cenas de assédio, de insinuações sexuais e de embriaguez.



O dia seguinte chegou, e mal deu para perceber.
Encolhido em minha cama, só de cuecas, de meu apartamentinho pequeno e simples – ooh, como eu estava sentindo a sua falta, minha querida cama – em posição fetal, as cobertas sobre mim como uma bolsa de líquido amniótico, o travesseiro como uma placenta onde apoio minha cabeça dolorida... enfim, deitado e tentando descansar como se estivesse em um útero, eu não conseguia tirar de minha mente a noite anterior, e todas as suas loucuras.
Terá sido sonho tudo o que vivi desde que saí desta cama pela última vez?
Vamos rememorar: eu sonhei que transei com Fifi, uma garota pantera – literalmente. Depois, a estuprei... ela me atacou... e eu a matei, atirando-a da janela. Depois, fui eu a ser jogado de uma janela. Aí acordo, e passo um tempo deprimido, e pelado. Ligo para Geórgia, e ela me faz tomar coragem de continuar a sair para a rua.
A caminho da faculdade, passo mal, vomito o que comi, depois vomito a água que bebi em cima de Créssida. Vou para o hospital da faculdade, vomito o salgadinho que tentei comer, assusto Maura, me assusto comigo mesmo, saio correndo. Corro até um beco, onde bebo sangue de rato. Argh... Saio correndo de novo, me refugio em um prédio em construção. Tenho certeza de que estava me transformando, gradativamente, em vampiro. Os cães demoníacos me atacam, luto com eles, os venço.
Saio para a rua, e tento agir como o vampiro que acredito ter me transformado. Mas me dou mal: levo uma surra de três delinquentes – que já haviam me dado uma surra anteriormente – uma bolsada de uma prostituta, um tabefe de Créssida, e quase vou preso quando tento sugar sangue de Maura, mas sou “salvo” por Luce.
Ainda acreditando ser vampiro, agrido Luce, mas acabo apanhando. Pois descubro que Luce é um vampiro legítimo. Não consigo impedir que Luce extraia sangue de Geórgia com uma seringa gigante. Descubro que Andrômeda é irmã de Luce, e também é vampira – e eu também já havia transado com ela. Acompanho os irmãos, e Jorge Miguel, que também é vampiro, ao hospital para onde foram levadas Créssida, Geórgia e Maura. Depois, os vampiros me levam até onde os outros “monstros” estavam, e estes se transformam diante de mim em... monstros. Duendes, fadas, elfos, dinossauros, ninfas, lobisomens, demônios... e desmaio.
Acordo no quarto de Andrômeda. Dou uma espiada em seus armários, depois encontro Luce e os outros monstros discutindo: Luce, Andrômeda e Jorge Miguel são vampiros, Breevort é um elfo negro, MC Claus é um ogro, Flávio Urso é um pé-grande mestiço, Âmbar é uma ninfa, Morgiana é uma sereia... e Luce me leva para jantar em uma churrascaria. Ambos saímos à francesa enquanto os outros discutiam.
No estacionamento da churrascaria, Luce, ou melhor, Lúcifer, que no entanto não garante ser “o” Lúcifer, me propõe um pacto. Ia me mostrar o caminho da riqueza e do poder, em troca de trabalhar para ele. Acabei aceitando.
Depois, Luce me leva para o bar onde trabalho, e cumpro meu turno habitual. Mas foi estranho os outros “monstros” não terem aparecido no bar. Hoje, o bar estava mais vazio, pouquíssima gente. Apenas Luce compareceu. Trabalhei, como se nada houvesse acontecido. Fiz drinques aos clientes “normais”. Luce ficou no bar a noite toda, ora bebendo, ora parado olhando o movimento. Em determinado momento, resolveu jogar sinuca com um cliente – e ganhou três partidas. Depois, voltou para o balcão. Ninguém o reconheceu com o cabelo claro. Mas ele mesmo justificou ao meu chefe minha ausência no dia anterior, que eu tinha sofrido um acidente. Até apresentou um atestado médico, que ele tirou não sei de onde. Disse que me acompanhou no hospital. E creio que o chefe acreditou.
Depois, findo meu turno de trabalho, que consegui levar normalmente, Luce mesmo me levou para casa, em seu carro, e saiu a toda, me deixando com o olhar pasmo. Antes de ir embora, falou apenas: “amanhã combinaremos melhor os termos de nosso pacto.”
É, fazer o quê... Maquinalmente, entrei, coloquei o celular para carregar, tirei a roupa e fui direto dormir.
Bom que naquela madrugada não sonhei com nada. Acho que sonho, mesmo, foi tudo o que vivenciei naquelas duas excêntricas noites. Quem sabe não seja isso. Monstros não existiam. Não fiz pacto nenhum. Nenhuma garota teve seu sangue extraído...
Mas, mesmo assim, eu não vou para o céu quando morrer.
Eu devia estar ficando louco. Louco, é isso mesmo! Agora, sim, eu estava louco. Em imaginar que realmente existiam vampiros, elfos, sereias, ninfas, pés-grandes, ogros... e que eles iam me ensinar os segredos de como conquistar o poder. Possivelmente, ia aprender a ficar rico – desejo secreto da grande maioria da humanidade. Mas que bobagem. É bom demais para ser verdade o fato de, simplesmente em troca de continuar fazendo drinques, eu aprender a ficar rico, e ainda por cima ter uma porção de mulheres gostosas à minha disposição. Ainda que sejam monstras, as monstras eram sedutoras, capazes de levar um pobre rapaz pândego e notívago à perdição. Talvez seja nas “monstras” que eu estive pensando quando aceitei a proposta de Luce...
Aah, de toda forma, fiz um pacto com o Diabo, e não vou mais ser aceito no céu.
Esse pensamento interrompeu meu sono que, até então, transcorria sem maiores problemas. E, encolhido na minha cama, protegido do mundo, tendo por mundo apenas o espaço entre o colchão e a coberta da cama, chorei baixinho.
Afinal, o que eu vivi até agora é verdade ou alucinação?! Ooh, será que alguém vai se dar ao trabalho de me responder?! Será que na verdade eu não estava vivendo uma simulação da Matrix?! Será que na verdade eu não havia sofrido algum grave acidente, e estava em coma em alguma cama de hospital, sonhando que eu fazia faculdade de medicina, e trabalhava em um bar, e levava uma garota por semana para esta mesma cama onde eu agora estava deitado, e...
De repente, meus devaneios de um sono interrompido são... interrompidos.
Senti algo como que uma picada de inseto.
Acordo, assustado, saio de baixo da coberta e sento na cama, apoiado contra a parede. Oh, céus! Entrou um inseto na minha coberta! Mas que tipo de inseto é?! Uma barata? Uma aranha?! Um besouro? Um...
Olho em volta: o dia ainda estava claro. A janela fechada, mas a lâmpada acesa. Meu despertador marcava 15:30. Três e meia da tarde.
Mas que dia é hoje?! E...
Olho para minha cama: diante de mim, estava um minúsculo louva-a-deus.
Oh, então foi um louva-a-deus que, de alguma forma, entrou em meu quarto e entrou sob meu cobertor. Mas como ele teria conseguido acender a luz do meu quarto? E esse louva-a-deus, que me olhava de cabeça erguida, e com as garras cruzadas, me parecia familiar... Talvez seja...
- Âmbar?!
E ouço uma voz fininha:
- Boa tarde, Macário. Te acordei? Estava sonhando?
Sim, era o louva-a-deus quem falava! Ou melhor... a louva-deusa.
- Â... Âmbar... É você mesma!
- Como sabia que era eu? – prosseguiu a vozinha aguda. – Me reconheceu antes mesmo de eu falar... Oh, desculpe a picadinha, Macário, mas eu tinha de te acordar de algum modo... Mas não se preocupe, louva-deuses não são venenosos nem transmitem doenças...
Engoli em seco.
- Então... não foi sonho!
- Não foi sonho o quê?
- Os monstros existem... você... você pode se transformar em inseto... e eu realmente... eu realmente fiz um pacto com o demônio!
- Pacto... O quê?! – o louva-a-deus pareceu ter se exaltado. – Você aceitou a proposta do Luce?!
- Você... você sabe?! Você soube?!
E, diante de meus olhos, o louva-a-deus saltou de minha cama, cresceu, e se metamorfoseou. Se transformou em mulher. Naquela garota tão cobiçada, Âmbar. Estava vestida, claro. Com aquelas roupas provocantes, a blusinha decotada, quase mostrando os peitões, e a minissaia com meia arrastão. O cabelo branco de tão claro, curto, sem nem uma tintura. Nas mãos, as unhas compridas como garras. E assumia uma expressão macambúzia, tentado sorrir. Aparentava estar de ressaca – já tinha visto ela beber muito, e ontem certamente foi um daqueles dias. E eu... assustado, diante dela, só de cuecas.
- Âmbar! – exclamei.
- Macário. – falou, com um fio de voz.
- Como... como você entrou aqui?!
- Hã... Pela janela do banheiro, Macário. Na minha forma de inseto, Macário, sabe. – ela sorriu, ebriamente. – Como inseto, eu posso entrar em qualquer lugar. É uma vantagem. E então, quer dizer que eu posso entrar na suas casa quando você menos esperar, ah, ah...
O hálito revelava que havia realmente bebido, mas não recentemente.
- O... o que está fazendo aqui?!
- Vim te ver, Macário. Não posso?! – ela falou, sentando na cama.
- Bem, eu... poder pode, mas você me pegou de surpresa!
- É, acho que sim. – e ela riu.
Me encolhi, e, lentamente, me afastei.
- Hã... eu... eu vou preparar um café, aceita?
- Sim, Macário. Preto e sem açúcar, por favor. Aliás, como adivinhou que eu estou precisada de um café preto e sem açúcar, hein? Eh, eh...
Esperava que ela me atacasse, quando menos esperasse. Mas ela não fez nada. Não enquanto eu pegava a calça e vestia. E me dirigia à cozinha. Ela só me seguiu.
Não, hoje não vai ter sexo, Âmbar, se é isso que você quer de mim. Não insista. Não estou com humor para isso.

Oh, céus. Será que eu estava tendo outros daqueles sonhos com os tais portais mentais? Será que nesse momento eu estava em outra dimensão, da qual só sairia morto? Mas não parecia. Eu me encontrava muito lúcido – pelo menos é o que posso concluir. E talvez até eu mesmo consideraria ridículo eu estar sonhando que estava... na cozinha, fazendo café. Ao invés de deitado na cama, “atacando” aquela gostosa que está sentada ali no meu sofá.
Âmbar estava só me observando. A garota mais desejável do grupo do “monstros”. E ela estava macambúzia. Aparentemente bêbada. Incrível que ela não tenha tentado me seduzir, como fez aquele dia. Ou será que estava? Afinal, ela estava usando aquele decotão... E, mesmo com a meia-calça rendada, sua cruzada de pernas era irresistível.
Ela não falou nada. Não até eu servir o café.
Assim que terminei de coar o café, servi duas xícaras, de café preto e fumegante; levei uma xícara para ela, a outra adocei e peguei para mim. Eu não estava bêbado. Sei que não estava.
- Ah, obrigada, Macário. – agradeceu ela, pegando a xícara com muito cuidado por causa das unhas anormalmente compridas.
Me sentei a seu lado, ressabiado. Ela soprou a xícara, sorveu devagar um gole do café quente. E outro... e se deu outro angustiante momento de silêncio, até Âmbar esvaziar a xícara. Eu não conseguia falar nada. Tentava beber meu café, mas não conseguia parar de olhar para ela. Só depois que ela baixou a xícara vazia que eu consegui reunir coragem para falar.
- Então... – comecei, mas fui interrompido.
- Aaah, melhor agora. – exclamou Âmbar, com uma expressão de alívio. – Eu precisava disso.
- Precisava do quê?
- De um café amargo. Para melhorar da ressaca. Minha cabeça dói um pouco, ainda. Mas acho que o analgésico já está fazendo efeito. Devo conseguir levar a noite de hoje. Mas, em todo caso, me sirva mais um, por favor?
Não me fiz de rogado. Enchi outra xícara para ela, e já consegui fazer minha voz sair da garganta.
- Você tinha bebido mesmo?
- Bem, Macário, sabe... – disse Âmbar, enquanto sorvia o café. – Ontem, depois que você sumiu da mansão da Andrômeda...
- Ah, que dia é hoje? Nem eu tenho certeza se...
- É quarta-feira, pelo que eu sei. Escutei no rádio antes de sair de casa.
- Quarta... então, tudo aquilo aconteceu ontem mesmo?! Lembro que era segunda-feira quando tudo começou... digo, quando achei que virei um vampiro e...
- Eu também lembro que era segunda, Macário. Depois do fim da exposição do Marto Galvoni, e era sábado, então... sim, hoje é quarta, e nesses dois dias anteriores aconteceu de tudo... bem, ontem eu lembro, estávamos na mansão da Andrômeda, e estávamos conversando, e eu tive de mostrar que posso virar inseto, e... bem, você sumiu, e sabe-se lá para onde o Luce te levou... ah, para onde o Luce te levou, hein, Macário?
- Ah... ele me levou para uma churrascaria...
- Chur...
- Churrascaria, sim. Me pagou o jantar... já que eu não janto desde... desde anteontem... ele comeu também... depois a gente conversou um pouco... e... bem, depois ele me levou para o bar.
- O bar?!
- Onde eu trabalho. Eu fui trabalhar e... bem, eu pensei que vocês iam me procurar lá. Depois o Luce me levou pra casa, e...
- Ooh, aquele safado, eu devia saber que ele... e nós pensando que você... – vociferou Âmbar, com indignação um tanto ébria. – Bem, nós estivemos preocupados com seu sumiço. Por algum motivo, não conseguimos detectá-lo. O Luce deve ter conseguido bloquear seu cheiro, e suas ondas mentais... Senão, conseguiríamos te localizar. Fiquei angustiada... E acabei tomando um porre. Aliás, você deve ter visto que lá na mansão eu já estava bebendo, também. E resolvi beber mais e mais... Eu já estava triste, fiquei mais ainda quando... Eu bebi e... bem... eu também f(...). Bebi e fiz sexo selvagem... – ela deu mais uma risada ébria, tentando descontrair e disfarçar a indignação. Mesmo ébria, aquela risada era maravilhosa; dizem que ninfas sabem cantar admiravelmente, imagine então como riem. – Mas não adiantou... Os efeitos... bem, os efeitos ainda não passaram completamente. Os efeitos da bebedeira.
A xícara tremia em sua mão. E ela continuava rindo.
- Pô, não havia nos passado pela cabeça, de alguma maneira, que você estava no bar. E, bem, fui para casa dormir um pouco. O Claus também se embebedou ontem, e me f(...). Foi com ele que fiz sexo selvagem...
E eu fiquei imaginando como seria o sexo entre Âmbar e o MC Claus, gorducho. Decerto... Âmbar prosseguiu:
– É, com isso aprendemos a não ficar discutindo daquele jeito... Senão o Luce se aproveita e some com você... E, bem, assim que minha dor de cabeça passou, eu resolvi procurar você. Acordei, eram (sic) três da tarde. Resolvi dar uma olhada na sua casa, para ver se você tinha voltado... e, pelo jeito acertei. Que bom que você está bem, Macário... – e me puxou para junto dela, me abraçando. – Fiquei tão preocupada quando você apareceu lá no depósito, todo estropiado, sujo... Aah, aquele Luce, como pode te torturar daquele jeito?! E ainda me obriga a ligar pra você só pra soprar aquele apito que te deixava doido...
Lembrei que houve um momento, naquela noite, que eu recebia ligações em meu celular, e, toda vez que eu atendia, sopravam um apito de alta frequência, que me afetava. Em determinado momento, parei de atender os telefonemas vindos do número “(privado)”, mas atendi um que vinha outro número... era o número de telefone da Âmbar. E era aquele apito... Me senti aliviado em saber que Âmbar teve de fazer isso contra a vontade dela.
- Você veio me procurar... – disse eu, depois de me soltar de seu abraço. – Ei, desde quando você sabe meu endereço?
- Desde que usei o portal mental para trazer você para o meu quarto. Por ele também acabei descobrindo onde você mora... e... bem, o Luce vem seguindo você desde que você veio morar aqui, mas...
- Você veio me procurar, Âmbar... – repeti, interrompendo-a, e arqueando a sobrancelha. – Para quê, exatamente?
Temia que ela dissesse que veio ao meu apartamento para transar comigo, mas parece que nem ela estava com disposição para o sexo. Nenhum de nós estava. Pelo jeito, o MC Claus não era o melhor dos amantes, e, quando o sexo é violento, tira a vontade de fazê-lo no dia seguinte.
- Para saber... se você aceitou a proposta do Luce.
- Bem, eu não tenho certeza se foi realmente o que aconteceu ontem, mas... eu aceitei.
- Você... você aceitou?!
- Bem... não é nada de mais, certo? Era algo como...
- Oh, não! Isso é terrível, Macário! – ela se exaltou.
- Terrível?
- O... o que foi que o Luce te propôs, exatamente?!
Âmbar tinha dificuldade em coordenar as ideias, o que demonstrava que ainda havia álcool agindo em seu sangue, em sua cabeça.
- Bem, que eu fizesse parte da turma de vocês, em troca de trabalhar para ele. – falei.
- Ele... ele disse isso?!
- Eu... Âmbar, eu aceitei porque... bem, porque já que não consigo mais distinguir entre a realidade e o sonho... e... quero saber mais sobre vocês. Sobre a natureza de vocês! Como um homem agiria se soubesse que as pessoas com as quais começou a conviver não são pessoas... comuns?!
- Oh, Macário, mas... – e ela começou a chorar. – Aah, Macário, mas por quê?!
E me abraçou de novo. E tentava apertar meu rosto contra seus seios, mas procurei resistir. Ainda mais que ela estava espetando meu rosto com aquelas unhas.
- Âmbar?!
- Ooh, Macário, isso é terrível! Por que aceitou?! Ooh, maldita hora em que aceitei fazer parte do jogo daquele... daquele... vampiro!
- Âmbar?!
- Oh, Macário, você acaba de se condenar!
- Âmbar! – me assustei. – O que quer dizer com isso? Quer dizer que o Luce... o Lúcifer... é realmente...
Ela me soltou.
- Hã, não, Macário. Não, o Luce só tem o mesmo nome “daquele” Lúcifer. Mas... não é o que você está pensando.
- Ah, tá... – suspirei aliviado.
- Ele é pior! – ela se exaltou.
- Hein?! – me assustei.
- Oh, Macário... – Âmbar falava, entre lágrimas. – Sabe... Oh, sabe, estamos preocupados com você. Eu estou preocupada com você. Não é sempre que nos preocupamos com um humano, mas é que... É que... você é diferente. É o ser humano mais incomum que conhecemos até hoje... você é tão legal... e você acaba de assinar sua... a sua sentença, Macário!
Do modo como Âmbar falava, comecei a acreditar que fiz uma bobagem... Mas precisava entender melhor essa história, ainda que estivesse com o coração aos pulos, e sentindo o suor frio em minha testa.
- Eu ainda não estou entendendo! Sentença de quê?!
- Sentença de... bem, eu não digo sentença de morte, é sentença de... de... É que, sabe... o Luce posa como um sujeito legal, engraçado, excêntrico, mas... mas por dentro ele esconde um monstro. Um carniceiro! Oh, Macário, não quero nem imaginar o que o Luce planeja para você... logo você...
E chorava. Por que essa... (ah, Âmbar, me perdoe, espero que não saiba ler pensamentos...) Por que essa vagabunda não ia direto ao ponto?!
- Como assim?! – perguntei, já me indignando.
- Bem... eu... hã... ei, esse aí é o meu telefone?!
Ela enxergou o telefone celular que estava na minha mesa. Havia o deixado ali ontem à noite para carregar. Ela pegou o celular, e conferiu. Eu sabia que era só para mudar de assunto... Já estava começando a me irritar.
- Oh, Macário, o que aconteceu com o telefone?!
- Só rachou a tela, mas continua funcionando. Eu fui agredido anteontem. E aconteceu de novo, mas desta vez...
- Oh, Macário! Oh, não! Logo o telefone que eu...
Fiquei sem jeito.
- Hã, foi você mesmo quem...
- S-sim, Macário. Fui eu... Fui eu quem... hã... você me contou que seu celular havia sido destruído. Aí, eu resolvi te comprar um novo, e...
- Mas eu te disse isso durante um... um sonho, não foi?
- Bem, não foi bem um sonho. Foi em nosso encontro... em outra dimensão. Sabe... o portal mental.
- Portal mental... ah, eu bem que gostaria de saber como é que isso funciona. E... bem... Âmbar... eu não queria...
Ela se voltou para mim, sorrindo.
- Ah, tudo bem, Macário, sem problemas... Se ainda está funcionando... Ainda podemos conversar a qualquer hora. Já gravei seu número.
- E... bem... o que...
- Mas pior ficou você, Macário, quando lembro o estado em que você ficou naquela noite... Quando você apareceu no depósito, todo sujo, ensanguentado, estropiado...
- Sim, eu sei, mas...
- Ainda me preocupo com seu destino, Macário. É que... é bem provável que o Luce não queira você apenas como garçom, ou coisa parecida, Macário. Dependendo do que ele vá solicitar a você, é bem provável que ele abuse de seus préstimos, e te esprema, esprema, esprema... torture você e as pessoas de sua relação... acabe tirando tudo de você aos poucos, e daí... você não seja mais o mesmo como o mundo lhe recebeu. Acabe ficando pior do que um zumbi... Eu sei, Macário... eu meio que sei o que o Luce faz com as pessoas que ele escolhe.
- Quer dizer que... há outras pessoas... em uma situação como a minha?!
- Houve, Macário. Houve.
Engoli em seco.
- O que posso lhe dizer nesse momento, Macário, é que você precisa ser forte. Você precisa fazer o possível para sobreviver às exigências do Luce. Ele é dado a fazer exigências absurdas, às vezes, e...
- Quer dizer que...
- Aah, Macário!
E ela me tasca um beijo na boca. Mas me desvencilhei.
- Âmbar!
- Macário... Oh, Macário me desculpe, é que...
- Você me assustou.
- Estou muito preocupada com você, Macário, é sério. Todas estamos... E foi pra mostrar isso que eu... eu...
Impedi que ela tentasse me beijar de novo. Já estava na hora de ser mais enérgico, ou morrerei sem entender patavina.
- Você... veio até aqui só para me avisar sobre... o pacto, não?
- Não. Não apenas isso... Digo... Macário, só saiba que, o que quer que o Luce for fazer com você, nós iremos proteger você. Eu, pelo menos, não irei deixar que o Luce transforme você em carne moída, ouviu bem?
Engoli em seco. O que ela queria dizer com “carne moída”?!
E ela me abraça de novo, e consegue, afinal, fazer com que meu rosto ficasse entre seus seios. Mentiria se eu dissesse que não foi agradável, mas eu não me sentia satisfeito.
- Não se preocupe, tá, Macário? Estaremos aqui, as garotas e eu. Ninguém vai abusar excessivamente de você...
Já estava ficando com gastura, porque aquela garota louva-deusa não estava legal das ideias. Estava bêbada. Mas eu tinha de ter paciência, já que não era uma garota comum...
Me soltei de seu abraço. Me sentei no sofá, suspirando fundo. Depois, olhei para ela, de um jeito durão.
- Bem, se você diz que não vai deixar nada de ruim me acontecer... Está bem, vou acreditar. E vou querer ver.
- Macário...
- Bem, já que você está aqui, e sabe de tantas coisas que para mim são novidade até agora, Âmbar... quem sabe, se você realmente estiver sóbria... possa me explicar algumas coisas, como... o que exatamente vocês são? Digo... vocês são criaturas fantásticas, vampiros, fadas, duendes... e...
Ela parecia hesitante. Mas não havia mais recurso: a m(...) já estava feita, nas palavras do MC Claus.
- Bem... você é capaz de ouvir e entender?
- Pode falar. Eu... eu estou pronto. Já que a partir de hoje começaremos a conviver... Desde quando existe esse grupo de...
- Bem, foi o Luce quem reuniu a todos nós.
- Hein?
Ela se sentou de novo no sofá, cruzou aquelas pernas torneadas e começou a contar, numa expressão tristonha, quase se escorando em meu corpo:
- Há muitos anos, séculos eu diria, o Luce costuma convidar gente que ele considera “interessante” para o grupo dele. Sabe... ele costuma identificar, de algum modo, a presença de seres como nós, seres fantásticos, que vivem as escondidas da humanidade. Seja a qual condição social elas pertençam no momento. Digo, não apenas seres fantásticos, mas alguns humanos também. Tipo, uma sociedade secreta, entende?
- Hã, tipo Priorado de Sião, Maçonaria...
- Tipo os Illuminatti. Digo, uns “primos pobres” dos Illuminatti. O Luce quer uma ordem que não fique a dever aos Illuminatti, afinal são só humanos, enquanto nós, entende? – eu comecei a me assustar, mas Âmbar, lânguida, e evidentemente ainda sentindo os efeitos do álcool no corpo, continuou: – O MC Claus e eu já fazemos parte desse círculo há mais de dez anos.
- Oh... Só podia, não é? Afinal, além de vocês serem seres fantásticos, vocês... hum... são elite, não é mesmo?
- É, pode crer, meu amor. O MC Claus é uma eminência na área fonográfica. Ele empresaria e grava discos de muitos artistas... Atualmente, anda muito envolvido com funk, sabe? Mas a maioria dos funkeiros da gravadora dele são humanos...
Ela já parecia mais lúcida.
- Eu já estava desconfiando... aliás, o que você e o MC Claus são, exatamente?
- Hein?
Era hoje que eu ia esclarecer essa dúvida.
- Digo... vocês são casados, não são?
Ela demorou alguns segundos para responder:
- Não.
- Não?!
- Eu sou meio que uma secretária dele. Às vezes, amante...
- Hein?!
Aí já não estava entendendo.
- Na verdade, o MC Claus é meu cunhado. É.
- Cunhado?!
- Ele é casado, mesmo, com uma irmã minha. Mas ele também é responsável pelas suas cunhadas. E... ah, ele não é necessariamente um ogro. É apenas uma das formas que ele é capaz de assumir. Na realidade, ele é um... tipo, um duende, sabe. Um Duende Rei. Maior que os outros duendes, com poderes mágicos, e altamente ambicioso.
- Oh.
- Bem. Ele é um tipo especial de duende, com características de ogro, troll... já ouviu falar no Anel dos Nibelungos? Ele é parecido com o protagonista de...
- Anel de quem?
- Hã... nunca ouviu falar da série de óperas do Wagner sobre...?
- Não sou muito ligado em ópera, na verdade.
- Ahn, deixa pra lá, então. – falou ela, olhando as unhas. Não deu certo a ideia dela de envolver cultura erudita na sua explicação, mas acho que estou conseguindo captar o que ela quer dizer. – Bem. O MC Claus, então, é casado com uma irmã, minha. Oficialmente. Mas também se envolve comigo e com as minhas outras seis irmãs.
- Você tem...
- Somos em nove, na nossa família. Só minha irmãzinha mais nova, já devo ter falado nela, não? Malva. Esta ainda está a salvo. Bem... Meio que vivemos como um harém do rei dos duendes. Fascinado tanto pelo ouro quanto pela luxúria. E, bem, como eu trabalho no mesmo escritório que ele, sou meio que uma favorita dele. É óbvio, não é? – ela deu uma risada, apontando para os seios. – Nem mesmo um Ogro, um Duende Rei, o que quer que seja, é capaz de resistir a uma linda ninfa grega, ainda mais uma que consegue desenvolver grandes e olímpicos seios...
Uau, nove irmãs ninfas. Seriam todas tão gostosas quanto esta que estava diante de mim? Não duvido.
- Você nasceu na Grécia?
- Não. Minhas antepassadas que nasceram na Grécia. Quando as Grandes Navegações começaram, até mesmo os seres fantásticos começaram a se espalhar pelo mundo. Aqui no Brasil, as ninfas gregas encontraram um ambiente bem propício para se reproduzir e manter seus poderes... Sabe, houve um tempo em que as matas eram abundantes e limpas. Hoje, temos de resistir à poluição, ao desmatamento.
- Oh.
- Bem. Tal como as ninfas migraram da Grécia para o Brasil, os outros monstros também, incluindo os Duendes Reis. Um deles foi o MC Claus, que formou seu harém a partir de nosso clã. Oficialmente é casado com uma, mas todas as outras do clã são como se fossem suas esposas... E, comigo, ele faz o que quer. Faz tudo, comigo. Tudo! Mas para mim, na verdade, não tem problema.
Do jeito que ela vinha falando, o relacionamento com MC Claus era terrível – dava a entender que Âmbar e suas irmãs eram torturadas sexualmente. Pelo menos, foi o que eu estava pensando, até ela arrematar com essa última frase.
- Não tem problema mesmo?
- Sabe, eu até gosto do modo como ele me possui na cama... Ele pode ter toda aquela camada de banha, digo, agora que está mais velho, mas se você visse o quanto ele pode ser viril... E ele já foi bem mais viril do que agora... – ela lambeu os lábios. – Afinal, somos ninfas, Macário. Espíritos da floresta associados, entre outras coisas... à luxúria. – e me disse isso ao pé do ouvido, sussurrando lascivamente. – Assim como os sátiros, que frequentemente costumam nos perseguir. Quando estamos bem à vontade, nos entregamos aos nossos... perseguidores. Atraímos, e aí deixamos que eles se aproveitem... e também nos aproveitamos. – e ela olhava lascivamente para mim, apontando aquelas unhas para meu rosto. Suei frio. A qualquer momento ela poderia me atacar... – Mas claro que tem vezes que não termina bem. Não é agradável. Quando não... nos escondemos, sob a forma de... sabe. Plantas, animais... insetos.
Dizendo isso, Âmbar se transformou novamente em louva-a-deus. E depois, diante de mim, assumiu uma forma intermediária: cresceu, e, do tamanho de um ser humano, a criatura tinha uma forma que misturava características humanas e insetóides.
- Quando é preciso engrossar, Macário, bem... esta é minha forma... defensiva.
Me encolhi, assustado. Foi essa forma que ela assumiu quando me devorou, ao fim daquele sonho. Segundos depois, Âmbar voltou à forma humana.
- Se assustou, Macário?
- Não posso negar que estou assustado...
- Ah, Macário, não se preocupe, não vou machucar você.
- Mas você já machucou.
- Ahn... oh, sim. Você lembrou de quando...
- Eu lembrei. Fizemos sexo adoidados e, no fim, você agiu como uma... louva-deusa. Me devorou, como uma louva-deusa faz com o macho. E você... faz isso com todos os outros homens com quem você transa?!
- Só de vez em quando, Macário. Só quando o homem em questão se mostra violento e... sabe. Na maior parte do tempo, eu sou vegetariana. Mas, no seu caso... eu tive de fazer aquilo, Macário.
- Você...
- Sabe, Macário? O portal mental. Funciona assim: uma das partes faz o encantamento que permite acessar a mente da outra pessoa. É melhor fazer isso no momento em que a mente da pessoa está cansada, querendo relaxar. Ou melhor, no momento em que ela vai dormir... aí, a mente da outra pessoa é puxada para uma dimensão paralela, enquanto seu corpo repousa na dimensão original. A pessoa nem percebe. É como se ela fosse viver uma vida em uma dimensão paralela, sabe, quando você dorme e sonha, e o sonho parece real? Bem, as dimensões acessadas pelo portal mental são muito mais vívidas.
- Estou tentando entender... então, a transa que tivemos foi mesmo sonho?!
- Foi e ao mesmo tempo não foi. Vamos dizer que a sua mente foi quem transou, enquanto seu corpo dormia, e ao mesmo tempo sentia os efeitos. Você acordou com a cama emporcalhada de p(...), não acordou?
- S... sim... – concordei, vermelho.
- Foi o que pensei. Bem, para que a pessoa retorne para sua dimensão e acorde, ela necessita ser morta de alguma forma dentro do sonho.
- Então foi por isso que...
- Foi por isso que devorei você. Foi por isso que Andrômeda devorou você. Foi por isso que Morgiana e suas irmãs devoraram você. E tivemos de nos matar, depois. Para acordar... e nos sentirmos muito mal. Resumidamente, é assim que funciona. Necessita um trauma para poder voltar à realidade. Satisfiz sua curiosidade?
Fiz beiço.
- Não. Assim, explicando, parece complicado. Mas espero que depois vocês ensinem como é o encantamento que permite a invasão da mente alheia e, quiçá... que vocês fiquem espiando a mente alheia.
Âmbar deu um sorriso meio sem graça.
- Aah, Macário, constrangido por termos descoberto que você pode ser um taradão?
Âmbar parecia ter recuperado o bom humor. E uma voz dentro de mim alertava: cuidado, a qualquer momento vai ter sexo.
- Bem...
- Mas eu não acho ruim. Mesmo que tenha sido em uma dimensão paralela, você agiu como... você mesmo. E você é uma máquina de sexo...
Vai ter sexo!
- Mas não era minha intenção. – falei, sem jeito. – Além do mais, teve vezes em que fui envenenado...
- Mesmo assim. Você, quando se entrega à luxúria, se entrega para valer. E eu gosto assim... O que me deixou mais “bolada” mesmo foi a transa com a Morgiana. Você não perdoa ninguém mesmo... Três de uma vez, seu tarado...
Não vai ter sexo.
- As irmãs da Morgiana que apareceram de repente... Se fosse só com ela...
- E ainda diz que a Andrômeda e eu parecemos gordas!
Não vai ter sexo.
- Eu... hã... hum! Eu não disse isso por mal, Âmbar... É que a Morgiana estava tão complexada por causa dos seios dela, e...
- Mas eu tenho uma ponta de inveja da Morgiana, sim. Ela é uma sereia, e é tão atlética, tão magra, com tudo em cima... Mas eu sou uma ninfa, Macário! Por que eu seria considerada gorda só porque tenho seios grandes?!
- Insisto, Âmbar, não foi por mal...
- Não tem problema, Macário... Eu te perdoo. Afinal, você gosta de seios grandes, não gosta?
E me faz ficar com o rosto entre seus seios, de novo.
Vai ter sexo!
- Eu gosto... – falei, sem jeito. – Se tem algum homem que não goste, eu gostaria de conhece-lo.
- Bem... O pacto com o Luce lhe trará muitos e muitos perigos daqui para a frente, mas... Há uma vantagem, Macário, nesse pacto... pelo menos, podemos passar mais tempo juntos... e no mundo real, ao invés de uma dimensão paralela... hmm...
E já estava querendo me beijar. Estava com o rosto bem junto ao meu.
Vai ter sexo!!
Tenho que resistir!
- Mas... Mas e o MC Claus?! – pergunto, assustado.
- Eu sei como dar um jeito quanto a ele, Macário. Ele não pode me impedir de me encontrar com um humilde garçom. Ele já foi capaz de oferecer seu “harém” em negociatas... aquele monstro... enquanto você... hmm...
Vai ter sexo!!
Âmbar já estava pronta para se atirar sobre mim. Não vou conseguir resistir...
- Âmbar... maneire aí...
- Não aguento mais... Eu quero... Nós vamos... vamos...
- Não, Âmbar... Eu estou com dor de cabeça...
- Tá não...
- Não viu que eu tive dias atribulados, e não estou disposto a...
- Ora, vamos, Macário... Sei que você quer... que você me quer... Isso vai te fazer tããão bem, meu amor...
E me beijava. E estava prestes a tirar os seios para fora do decotão. Aqueles seios redondos e enormes e cheirosos...
- Me beija, Macário... Tome uma iniciativa...
Vai ter sexo!!!
- Isso não está certo, Âmbar... – falei, quando consegui, afinal, descolar minha boca dos lábios dela, que já tentava colocar a mão dentro de minha calça.
- Pare de se fazer de durão, Macário, eu sei que você... IAU!
Levamos um grande susto.
Bem na hora em que Âmbar ia avançar sobre mim, me atiçar e fazer sexo comigo naquele sofá, somos interrompidos. Alguma coisa caiu sobre nossas cabeças, e se debatia.
A coisa aconteceu muito rápido. Mas a coisa se debatia sobre nossas cabeças. Uma coisa com asas, que guinchava, e nos atacava. Era um pássaro?! Como é que um pássaro entrou na minha sala?!
- Que p(...) é essa?! – exclamou Âmbar.
Ergo os olhos. A coisa era... um morcego.
Um morcego cinzento, nem muito grande, nem muito pequeno. Mais que cinzento: seu pelo ela praticamente prateado! Mas... mas como o morcego entrou aqui?!
E o morcego, enquanto batia as asas freneticamente, voando de um lado para outro, também falava!
- Tire a mão dele!!!
- Gah! Andrômeda?! – gritou Âmbar. – Você não desconfia?!
Andrômeda?!
O morcego pousou no chão. E, diante de meus olhos, se transformou. Se transformou em mulher. Na vampira Andrômeda, com seu cabelo prateado, e seu vestido branco. E suas formas renascentistas. E um decotão similar ao de Âmbar.
- Safada! – vociferou Andrômeda, indignada. – Eu devia saber que você...
- O que você está fazendo aqui, Andrômeda?! – gritou Âmbar.
- Mas como foi que você entrou aqui?! – foi minha vez de perguntar.
- Oi, Macário. – ela me respondeu com um sorriso. – Eu entrei pela janela do seu banheiro. E você vê, eu posso, como vampira, me transformar em morcego. Bem clichê, mas é verdade... Ainda bem que você não fechou a janela, senão eu nem ia conseguir passar... Mas quase fiquei entalada...
Oh, não. Ia ser assim, de agora em diante?!
- Andrômeda! Você me seguiu?! – perguntou Âmbar.
- Eu não! – a vampira respondeu. – Eu vim procurar o Macário, ver se ele estava aqui... mas você eu não esperava encontrar! Como foi que você... Aah, você entrou aqui na forma de inseto, não é?!
- Entrei, sim. E você... você não vai pegar o Macário pra você hoje! Cheguei primeiro!
- Sua p(...) safada! Trapaceira!
- Sua gorda má perdedora!
- Meninas, parem!!! – gritei, apartando a briga no momento em que Andrômeda já ia avançar sobre Âmbar. – Acalmem-se! Por favor! Modos!
- Macário! – gritou Andrômeda. – Você já ia avançar sobre...
- Eu não! – tentei explicar. – Que é isso! Eu nem esperava que ela...
- Ele estava sim! – intrometeu-se Âmbar. – Ele já estava quase se entregando, não é, amor?
- Bem, eu... – fiquei sem jeito. Estaria mentindo se eu negasse que, por um momento, eu não queria me entregar.
- Aah, Macário!!! – Andrômeda começou a chorar. – E eu estava tão preocupada com você... Sou uma tola!!! Eu estava preocupada porque você aceitou aquela proposta daquele demônio do Luce... e vejo você aí... Se divertindo com ela!... Já não perdeu tempo, resolveu aproveitar as cláusulas dio contrato, hein?!
Pelo jeito, estava claro que Andrômeda também estava embriagada.
- Não é nada disso que você está pensando, Andrômeda, por favor... Piedade...
- Sua gorda metida! – gritou Âmbar. – Logo agora que eu ia...?
- Não bastou você ter esvaziado meu estoque de uísque ontem, você ainda tenta se aproveitar do Macário?! E ainda se nota que você ainda está bêbada, Âmbar! Sua pouca vergonha!
- Sua metida! E veja só que fala... olha pra ti, você também bebeu!
- Não bebi... Digo, só suguei o sangue de um homem, hoje, e... foi ele quem bebeu! Só pode ser... estou tonta... sangue de homem bêbado... p(...) que pariu...
Vampiros também ficavam de sapituca quando ingerem sangue de pessoas que ingeriram álcool?! Essa era mais uma novidade...
- Não vai seduzir o Macário, sua... – vociferou Andrômeda.
- Não vai me roubar o Macário!! – vociferou Âmbar. – Eu cheguei primeiro!! Entre na fila!!!
- Parem, por favor, meninas... – pedi.
Andrômeda agarrou meus braços.
- Macário, me conta direito. O que vocês dois estavam fazendo?! – exigiu Andrômeda, me fazendo olhar em seus olhos.
Fiquei com medo daquele olhar dela. Vampiros podem ficar ainda mais perigosos quando estão bêbados?!
- A Âmbar só estava me explicando sobre o que ela é... Sobre os portais mentais... Sobre toda essa maluquice...
- Mais nada?
- Da minha parte não. Juro. Digo... ela que estava querendo me... A iniciativa não foi minha...
Andrômeda me soltou.
- Ah, menos mal. E... É verdade, Âmbar, você apenas...
- Eu apenas respondi o que ele queria saber. – falou Âmbar, depois de respirar fundo. – Mas eu...
- Macário... – Andrômeda me fez olhar de novo em seus olhos. – Me conte o que a Âmbar falou, exatamente. E fale a verdade...
- O... O que você vai fazer comigo depois, Andrômeda?! – perguntei, com medo.
- Apenas me conte. Apenas... me... conte.
Suei frio.
E pedi para as duas se sentarem no sofá. Me sentei entre elas. E comecei a explicar o que houve.

Não vai ter sexo. Ainda bem.

O próximo capítulo será publicado em 15 dias. E em 2018 a publicação continuará sendo quinzenal.
Como está ficando até o momento? Está bom? Está ruim? Preciso melhorar? Mantenho este ritmo? A qualidade da narrativa caiu? Manifestem-se! Um feedback maior que o do ano anterior pode ajudar este autor.
Continuem acompanhando. Novidades estão sendo planejadas para 2018. Isso é tudo o que peço aos meus 17 leitores.
E até mais!

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