quarta-feira, 14 de maio de 2014

101 SUPER-HERÓIS - tem até do Brasil!

Olá.
Hoje, vamos falar sobre mais uma publicação sobre cultura pop que saiu recentemente no mercado.
Nos últimos tempos, estão chegando às bancas muitos livros sobre quadrinhos e relacionados – um reforço à bibliografia teórica sobre o tema. Livros lançados por duas editoras – a Discovery Publicações e a Geek. E, estranhamente, esses livros tem o mesmo formato, mesmo projeto gráfico (capa cartonada, de 80 a 96 páginas, miolo colorido e fartamente ilustrado), mesmo preço, títulos iniciados com números e temas parecidos, o que nos leva a pensar que são todos publicados pela mesma editora.
Mas os livros da Geek, embora parecidos com os da Discovery, se diferenciam por não trazer ficha catalográfica, assim sendo, não há como sabermos quem são os autores, data de publicação, nem como fazer contato com a editora.

Well. Da Discovery, já saíram, relacionados a quadrinhos: 400 Imagens – Mangá do Começo ao Fim, de Sérgio Peixoto, e 120 Anos de História – Almanaque dos Quadrinhos, organizado por Franco de Rosa. Já da Geek, saíram: 301 Mangás – Enciclopédia Compacta Essencial do Começo ao Fim e o livro do qual falarei agora, 101 SUPER-HERÓIS – OS SEGREDOS E ORIGENS DOS MELHORES ÍDOLOS DOS QUADRINHOS.
Chegou às bancas agora, no início de maio de 2014. 80 páginas sem contar a capa cartonada. Não tem ficha catalográfica ou indicações de autores. Só alguns textos introdutórios, e o conteúdo: uma grande quantidade de informações sobre 101 heróis e super-heróis consagrados nos quadrinhos.
Além dos bem conhecidos heróis estadunidenses das editoras Marvel e DC, o livro tem fichas de heróis de outras editoras estadunidenses e clássicos das tiras de jornais, dos mangás japoneses, da Europa e até do Brasil! Nem todos com superpoderes, alguns pouquíssimo conhecidos do público brasileiro, mas ainda assim heróis.
Cada herói acompanha uma ficha com editora original, primeira aparição nas HQ, criadores e um texto corrido com informações: origem, poderes, algumas de suas aventuras clássicas, e até curiosidades sobre sua importância para a história das HQ, incluindo coisas que os fãs certamente não sabiam e pequenas informações sobre adaptações para outras mídias (filmes, desenhos animados, videogames...). E sem esquecer as ilustrações, evidentemente. Não apenas heróis individuais, mas também superequipes; e não apenas heróis masculinos, também entram heroínas. Alguns heróis tem duas páginas dedicadas a eles (por causa das ilustrações grandes); outros ocupam uma página inteira, e na maior parte das vezes, dois heróis ocupam a mesma página.
O livro é separado por temas.
No primeiro tema, DC Comics, os heróis escolhidos foram: Aquaman, Elektron, Batman, Arqueiro Verde, Canário Negro, Capitão Marvel, Ajax (Caçador de Marte), Novos Deuses e Órion, Flash, Questão, Legião dos Super-Heróis, Lanterna Verde, Homem-Borracha, Besouro Azul, Robin, Gavião Negro, Sociedade da Justiça da América, Superman, Espectro, John Constantine (Hellblazer), Sandman, Starman, Novos Titãs, Mulher Maravilha e Liga da Justiça.
Da Marvel Comics, foram escolhidos: Pantera Negra, Viúva Negra, Capitão América, Demolidor, Luke Cage, Quarteto Fantástico, Motoqueiro Fantasma, Doutor Estranho, Ciclope, Professor Xavier (e os X-Men), Namor (Príncipe Submarino), Fênix (Jean Grey), Surfista Prateado, Hulk, Jovens Vingadores, Hank Pym (Gigante – Homem-Formiga – Jaqueta Amarela), Homem Aranha, Gavião arqueiro, Vespa, Thor, Justiceiro, Feiticeira Escarlate, Miss Marvel / Warbird, Homem de Ferro e Wolverine. Até aqui, tudo figurinha carimbada dos comics estadunidenses. Dispensam maiores apresentações
Daí pra frente é que o livro fica melhor. Porque a terceira seção do livro é dedicada aos heróis dos mangás: Astro Boy, Yusuke Urameshi (Yu Yu Hakusho), Son Goku (Dragon Ball), Kamen Rider, Gundam, Ultraman, Princesa Safiri (A Princesa e o Cavaleiro), Kaneda (Akira), Seiya (Cavaleiros do Zodíaco), Ranma ½, Sailor Moon, Monkey D. Luffy (One Piece), Edward e Alphonse Elric (Fullmetal Alchemist), Itto Ogami (Lobo Solitário), Miyamoto Musashi (Vagabond), Yugi Mutto (Yu-Gi-Oh!) e Naruto.
A seguir a seção Mix, com heróis de outras editoras dos EUA, da Europa e de outros países da América. Da Marvel Comics (sem ser da linha regular de heróis), tem Conan, o Bárbaro; Da editora Image Comics, temos Spawn, Wildcats e Savage Dragon; da Dark Horse, o único representante é Hellboy; dos EUA, ainda tem Spirit (de Will Eisner); da Inglaterra, o único representante é Juiz Dredd; da Argentina, O Eternauta; do México, Fantomas (poucos devem ter ouvido falar); da Itália, vem Misterix, Corto Maltese, Ken Parker, Dylan Dog e Tex; da França, Tenente Blueberry, Tintin, Asterix e Obelix; e, dos desenhos animados, Ben 10 (!).
A seção seguinte é dos heróis clássicos das tiras de jornal: Príncipe Valente, Mandrake, Tarzan, Fantasma e Flash Gordon.
E, fechando o volume, os heróis criados no Brasil! Os escolhidos para representar nosso país no panteão heroístico pop foram: Judoka, Capitão 7, Mylar (O Homem Mistério), Garra Cinzenta, O Gralha, Raio Negro, Holy Avenger, Overman, Velta, Combo Rangers, Necronauta e Quebra Queixo.
Nos textos introdutórios, os editores já lamentam ter deixado muitos super-heróis de fora. Desse modo, ficaram de fora gente que deveria ter figurado na lista, como Monstro do Pântano, Tocha Humana, Tartarugas Ninja e Watchmen. Afinal, se tinha a ficha de John Constantine, por que não a do Monstro do Pântano, visto que aquele surgiu dentro das histórias deste?
Fica evidente, inclusive, que a escolha dos heróis para figurar na lista seguiu o critério da importância para a história das HQ – daí a escolha de heróis que, pelos critérios amplamente usados, não poderiam ser classificados como super-heróis, como Tintin, Ken Parker, Tex e Corto Maltese. Mas alguém já tinha ouvido falar do Fantomas Mexicano ou do Misterix? Eu não, pelo menos. E estranha-se a inclusão do Garra Cinzenta no rol, já que ele é, na verdade, um vilão. Mas como ele foi importante para as HQ brasileiras, por que não figurar na lista? Assim como Holy Avenger, que não se trata de um herói ou grupo de heróis específico, mas uma grande trama de aventura em um mundo mágico – e desenvolvida no Brasil.
Também se estranha que os X-Men tenham fichas separadas – e só foram analisados Professor Xavier, Ciclope, Jean Grey e Wolverine. E, se teve ficha da Liga da Justiça, cadê a ficha dos Vingadores? Só porque cada um de seus integrantes – Capitão América, Hulk, Thor, Homem de Ferro, Vespa, Hank Pym... – já tem sua própria ficha?
Mais estranha ainda é a inclusão do Ben 10 na lista, visto que ele estreou nos desenhos animados e só ganhou séries de HQ depois que fez sucesso. Ah, mas esse também é o caso do Gundam – que também só ganhou mangá depois de fazer sucesso nos animes.
Também mudanças na identidade dos heróis são analisadas. No caso, as de Flash, Lanterna Verde e Sandman (tanto o da Era de Ouro como o de Neil Gaiman).
Mas o livro também não fica livre das lambanças dos editores, como erros de grafia, informações contraditórias e tropeços na edição. A maior lambança foi a ficha do Espectro: eles simplesmente repetiram o texto da ficha do Gavião Negro!!! Além do quê, sendo um herói “menor” da DC nos dias atuais, por que o Espectro ganharia sua própria ficha, tirando o lugar que podia ser do Monstro do Pântano? Já a ficha de Yu-Gi-Oh! ficou breve demais em relação às outras.
Fora isso, vale a pena ter na estante. Complementa todos os outros livros sobre quadrinhos que você tiver em casa. E o preço? R$ 24,90. Como todos os outros livros.
Colecione: apesar das falhas, são livros todos úteis. Bem, qual será a próxima publicação com o tema? Veremos. E será pela Discovery ou pela Geek?
Para encerrar, já que falamos no tema heroístico, deixo para vocês uma ilustração de um hipotético combate entre o herói brasileiro Raio Negro e o estadunidense Lanterna Verde, Hal Jordan. Bem, o criador do Raio Negro, Gedeone Malagola, já havia admitido que criou-o baseado ou mesmo copiado do Lanterna Verde. Logo, como seria um embate entre eles? Claro que o Raio Negro já sairia em desvantagem: enquanto o Lanterna Verde pode, com a força de vontade, criar de tudo com a energia do seu anel da bateria central de Oa, o herói brasileiro, no máximo, só consegue lançar raios de energia do anel de luz negra do jupiteriano Lid. Mas como duvidar que, de repente, o Raio Negro dê o típico “jeitinho brasileiro” para ganhar vantagem deste combate?
Por hora, é isso aí. Aguardem novidades!

Até mais!

3 comentários:

izu disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
izu disse...

o livro parece com o mesmo lançado pela Discovery no ano passado:http://zonafrancacomics.blogspot.com.br/2013/10/100-super-herois-os-segredos-origens-e.html

izu disse...

o livro 301 é uma reedição do 300 mangás: Enciclopédia Compacta Essencial de Heitor Pitombo, publicado em 2013 pela Discovery.