domingo, 30 de setembro de 2012

Nota de falecimento: HEBE CAMARGO

Olá.

Enquanto está ocorrendo a Expolítica em Santa Maria, sem eu estar presente, vou aproveitando pra dar algumas notícias.
Nesta semana que passou, duas mortes nos pegaram de surpresa em um ano em que estamos perdendo personalidades depressa demais.
Na sexta-feira, perdemos o lutador e ator Ted Boy Marino; e ontem, sábado, dia 29 de setembro, perdemos a Dama da TV Brasileira, Hebe Camargo.

A loira não era chamada de A Dama da TV Brasileira por acaso: ela integrava o rol das pioneiras da TV brasileira. Era, por assim dizer, a mais antiga apresentadora de TV em atividade até então.
Nascida em Taubaté, estado de São Paulo, em 1929, Hebe Maria Monteiro de Camargo começou sua carreira como cantora, integrando alguns conjuntos musicais menores. Mas sua carreira começou a deslanchar, mesmo, quando o empresário Assis Chateaubriand convidou a loira para participar das transmissões da TV Tupi, a primeira do Brasil, em 1950. Ela quase esteve na primeiríssima transmissão, quando deveria cantar a música inaugural, TV na Taba; porém, um imprevisto fez com que Hebe não pudesse comparecer, sendo substituída por Lolita Rodrigues.
Mas foi na TV Tupi que ela começou sua carreira televisiva. Primeiro, no programa infantil Rancho Alegre; em 1955, ganha seu primeiro programa solo, O Mundo é das Mulheres, na mesma Tupi, onde já começava a desenvolver o formato que seria sua marca registrada: receber convidados para entrevistas, acomodados em um sofá, num cenário que lembrava uma sala de estar.
Nos anos 60, Hebe foi para a Record, onde ganhou seu primeiro programa com o seu nome. Nos anos 70, ela foi para a BAND. E foi em 1985 que ela se transferiu para o SBT, onde ficou famosa. Em todas essas emissoras, o formato do programa era o mesmo. O sofá, bem como o selinho na boca dos convidados, a risada histriônica e o bordão “ele(a) não é uma grasssinha?” eram suas marcas registradas. Entretanto, Hebe também ganhou fama de avoada, em certos momentos. Mas nunca perdia o glamour – ela era a própria tradução dessa palavra.
Hebe atravessou bem os anos 80 e 90, mas as coisas começaram a se complicar nos anos 2000. Os desentendimentos com o amigo íntimo Sílvio Santos se fizeram sentir. Depois de muitas discussões, envolvendo cortes de salários e mudanças de horário do programa cansativas, Hebe se desligou do SBT em 2009, e no ano seguinte assinou contrato com a RedeTV!, enquanto lutava contra um câncer no peritônio – sem, entretanto, perder o apoio dos amigos.
O período de Hebe na RedeTV! durou até setembro de 2012, quando ela resolveu renovar o contrato com o SBT. Mas era tarde. Cerca de uma semana depois de anunciar essa renovação, Hebe faleceu, de uma parada cardíaca enquanto dormia. Hebe já contava 83 anos.
Hebe também gravou discos, fez shows memoráveis, atuou em filmes, novelas e especiais de TV, dublou personagens... E se casou duas vezes. O primeiro casamento foi com Décio Capuano, entre 1964 e 1971, quando se divorciou – e desse casamento saiu o único filho dela, Marcello de Camargo; e o segundo casamento foi com Lélio Ravagnani, de 1973 a 2000, quando ele faleceu.
Muitas mulheres que fizeram fama na TV tiveram em Hebe seu espelho, não apenas no estilo de condução dos programas. Apresentadora que é apresentadora tem de entrevistar seus convidados em um confortável sofá, com uma ficha numa mão e o microfone na outra. Ana Maria Braga, Adriane Galisteu, Luciana Gimenez, Eliana, Sônia Abrão... o que tem de gente imitando a Hebe não tem fim. Aliás, foi Adriane Galisteu que cunhou a frase “Eu queria ser a Hebe”, demonstrando seu desejo de sair de ser apenas uma modelo para fazer muito mais. Até mesmo nos deslizes de cultura a Hebe foi imitada – que o diga Luciana Gimenez.
Mas, de toda forma, fica o registro – e a homenagem do Estúdio Rafelipe, expressa na ilustração acima – à Dama da TV Brasileira.
Foi mesmo uma surpresa, que mudou os planos que eu tinha pra hoje. Mas tudo bem.
Só pena que a morte da Hebe tenha eclipsado à do Ted Boy Marino. Foi como a morte do Michael Jackson que eclipsou a morte da Farrah Fawcett.
Estamos perdendo mais personalidades este ano que nos anteriores, essa é a impressão. Alguma coisa está errada.
Até mais!

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